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Freelance - a (r)evolução do trabalho

Freelance a revolução do trabalho

Um terço da força de trabalho americana é composta por freelancers. E isso não vai demorar para chegar por aqui também. 73 milhões de pessoas atualmente trabalham por conta própria nos Estados Unidos, seja em tempo parcial ou integral. Enquanto alguns usam o trabalho freelance como renda suplementar, muitos deles fazem isso em tempo integral.

Desde a revolução industrial houve uma enorme reviravolta na forma como a força de trabalho de uma sociedade realmente funciona. O velho modelo da relação empregado/empregador está sendo radicalmente alterada e talvez nunca mais volte aos antigos padrões do século XX.

Um freelancer é um indivíduo que não é membro da equipe de uma organização que paga um salário por seu trabalho. Esta definição permite uma ampla abordagem para muitos tipos de situações profissionais diferentes. Médicos, encanadores e consultores políticos, todos podem, teoricamente, se tornar freelancers, em algum momento.

As tarefas desempenhadas anteriormente por funcionários que ocupavam um espaço físico no escritório da empresa e recebiam salários fixos já estão sendo distribuídos a todos os tipos de pessoas ao redor do mundo, muitos, tendo muito pouca ligação com a empresa para qual prestam serviços.

Trabalhadores autônomos estão sendo vistos como a chave para a economia pós-recessão de 2008.

O fenômeno é mais nítido quando observamos o fato de que funções anteriormente desempenhadas por colaboradores internos estão agora sendo terceirizadas para pessoas que trabalham em casa ou em um café numa cidade distante, e que não têm qualquer ligação formal com a empresa para a qual prestam serviços.

Podemos observar claramente que este novo tipo de relação comercial e trabalhista se deve a era digital e a imensa capacidade de comunicação e mobilidade da internet. Trabalhos como o de design gráfico remoto, ou mesmo o trabalho de atendimento ao cliente que é já é feito longe dos escritórios de uma empresa.

Muitos tipos de negócios com equipes baseadas em trabalho remoto estão surgindo e sendo gerenciados por franqueados totalmente independentes. Um bom exemplo disso são empresas como a Uber, o app de táxi que não possui uma frota de carros e nem mesmo emprega um único motorista sequer, eles apenas usam os motoristas autônomos que se cadastram para usar o serviço.

Ao contrário de freelancers que fazem todo o seu trabalho de forma independente, um outro tipo de freelancer é o empresário. Designers gráficos, escritores e jornalistas de conteúdo, alguns podem, até ser considerados um ´homem-empresa´, onde seus produtos são na verdade o seu conjunto de habilidades únicas.

Eles podem ser escolhidos pelos clientes para fazer um projeto pontual ou atender uma determinada demanda por um prazo mais longo. O mercado para contratos independentes tem uma escala de valores que podem variar de acordo com o tipo de trabalho.

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O site simplyHired.com aponta que o salário médio de um freelance hoje gira em torno de 68.000 dólares americanos por ano. Os benefícios desta modalidade de trabalho são potencialmente amplos, mas dependem de circunstâncias individuais: horários flexíveis, contratos personalizados, liberdade de movimento e seletividade dos projetos.

O trabalho freelance ainda é visto com ressalvas por muitas pessoas que o rejeitam por acharem que é muito confortável trabalhar em casa e isso poderia resultar numa qualidade menor do trabalho.

A verdade é que o trabalho freelance é coisa séria para quem vive disso, e requer muita disciplina e experiência. Mas é preciso lembrar que a maior desvantagem dessa modalidade é a sua instabilidade inerente.

Ofertas de trabalho podem ser intermitentes e aleatórias. Freelancers devem aprender a gerir o seu dinheiro de tal forma que possam sobreviver aos dias, semanas ou meses, quando ficarem com pouco ou nenhum novo trabalho.


 

Com o tempo, passa-se a conhecer mais profundamente o mercado onde se atua, o que possibilita estabelecer relações mais próximas com uma ou várias empresas, obtendo um fluxo de trabalho que pode se tornar mais estável e confiável.

Freelancers que trabalham para uma empresa em particular geralmente não desfrutam dos benefícios que um funcionário regular recebe, além de seu salário, precisam contratar seu próprio seguro médico e ainda reservar o dinheiro para o seu próprios fundo de aposentadoria - e ambas podem ser quantias significativas de dinheiro. A verdade é que a maioria dos freelancers estão a um e-mail de distância do desemprego, sem benefícios ou direitos de trabalhistas.

O que está acontecendo é que estamos testemunhando a ascensão da economia freelance, há uma nova força de trabalho global crescendo e mudando enquanto lemos isso. As velhas definições de empregado e empregador não são mais válidas. Fatores como o nível de formação e geografia estão mudando de importância em um mercado onde um empresário está disposto a pagar a um completo estranho em outra cidade, simplesmente porque ele demonstrou habilidade em um campo específico.

Este novo mercado de trabalho está disponível para quem é qualificado e conectado.

O trabalho de freelance oferece grande mobilidade e o poder de auto-definição para os jovens que cresceram em meio a recessão da última década, pelo menos nos Estados Unidos, já para nós brasileiros cuja a economia está entrando em recessão agora, certamente esta será uma forte tendência nos próximos anos.

Caros diplomas universitários estão se tornando menos relevantes em face de conjuntos de habilidades específicas.

Empreendedores de tecnologia de 15 anos de idade estão fazendo milhões quando suas startups caseiras ganham milhões de dólares durante IPOs. Na nova economia mundial a habilidade e reputação contam mais do que títulos. A relação patrão/empregado evoluiu para uma relação cliente/prestador de serviços, com uma dinâmica completamente diferente e um novo conjunto de regras.

A pessoa que paga as contas já não tem mais o poder absoluto numa época em que um freelancer pode andar longe de uma relação formal de negócios quase todo o tempo.

Seria interessante ver como essas mudanças sísmicas na força de trabalho global estarão daqui a 100 anos, quando o mundo - incluindo a aldeia mais remota da Índia ou do Brasil - estará totalmente conectada através da internet e da tecnologia celular. 

Só o tempo dirá o tamanho real do impacto dessas alterações na vida das pessoas de agora em diante.

 

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